São José dos Campos - SP, 

MONARK 66- COPA DO MUNDO


A Monark lançou a bicicleta Copa do Mundo para aproveitar a euforia do Campeonato Mundial de Futebol que iria se realizar em 1966 na Inglaterra. O Brasil vinha de duas conquistas seguidas em 58 na Suécia e em 62 no Chile.

Imagem da Taça Jules Rimet

O país que ganhasse três vezes consecutivas a competição ficava com a Copa Jules Rimet, por isso a estampa da taça no quadro da bicicleta. A população estava animada e ansiosa pelo tri- campeonato, tudo girava em torno da Copa do Mundo que se realizaria em Junho e Julho de 66. Pelé estava no auge e era o garoto propaganda da Monark para o lançamento dessa bicicleta. Tinha até o slogan no quadro: ”a bicicleta do Rei Pelé”. Mas a história foi outra. O Brasil não passou das oitavas de finais, parou na seleção de Portugal e o nome da Copa foi o jogador português Eusébio.
A Taça Jules Rimet só veio para o Brasil em definitivo em 1970, quando houve uma mudança no regulamento e ganhar três vezes o campeonato mundial (seguida ou não) dava o direito à posse definitiva do troféu.
Detalhe: A Taça Jules Rimet era toda feita de ouro. Foi roubada no Brasil algum tempo depois e jamais recuperada.
Mas a bicicleta foi um dos melhores lançamentos da Monark e um dos seus produtos de maior sucesso. Particularmente gosto muito dessa marca, especialmente esse lançamento de 1966 que para mim é a melhor bike que andei.
Macia para pedalar, selim anatômico e confortável, não cansa, mesmo em longa atividade, ótima geometria, um designer bonito, jogo de cores (bicolor) harmônicas, fácil de pedalar tanto em ganho de velocidade, como em ganho de potência para as subidas.

 

Tração monobloco
Selim

Na propaganda da fábrica esses pontos positivos eram realçados. O selim era chamado de “conforto flutuante”. Realmente o seu molejo é macio e anatomicamente auxilia muito no bem estar do ciclista e no seu desempenho. A tração monobloco ponto vermelho “uma só peça forjada em aço temperado, com rolamentos SKF duplo dimensionados” funciona muito bem ainda nesses 47 anos de uso ininterruptos e não necessitou de manutenção.

 

 

 

 

Barra circular

O seu quadro monobloco tem a característica de ter uma barra circular feita em aço que dá mais robustez ao produto.
Fiz várias viagens com ela. Não tem marcha, mas é leve ao pedalar, sente-se uma facilidade em transferir força e potência para a bicicleta. Mesmo em subidas ela responde bem.
Está comigo desde o dia 14 de Janeiro de 1966. Lembro-me do dia que a escolhi na loja, o cheiro de novo, o prazer de ter ganhado a bicicleta do meu pai. Naquela época, ganhar uma bicicleta era o sonho de toda criança e adquiri-las não tinha as facilidades de hoje. Para se ter ideia, a Monark anunciava como “o seu primeiro carro “.
Hoje com as bikes de mtb parece absurdo dizer, mas era o que acontecia, de se fazer trilhas com essa bicicleta. Não se escolhia terreno, seja ele acidentado, de subida, terra, lama, asfalto, mato, sob sol ou chuva. Não há obstáculo para ela. Em nenhuma ocasião precisei encostá-la para manutenção. Somente o básico.
Vinha com um enfeite na ponta do paralama dianteiro que era uma miniatura em plástico de uma bola de futebol. A bomba era de metal dourada com as extremidades em plástico vermelho e ficava presa ao quadro. A caixa de ferramentas (nem se pensa isso hoje) ficava atrás e por baixo do bagageiro e a sua tampa servia de refletor de segurança. O bagageiro tinha uma tira emborrachada com ganchos nas pontas para prender os objetos que carregava. O aro é 26X1,5, “o pneu balão” como se dizia na época.
Realmente uma bicicleta excepcional (pelo menos para mim) com ótimo desempenho, baixa manutenção, muito resistente, gostosa de andar, super confortável pela sua geometria, bonita e charmosa.
Essa “jovem senhora” que está prestes há completar 48 anos tem histórias para contar dessa vida de estradas e trilhas.

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